Política | Da Redação | 07/12/2025 10h59

Simone Tebet manda recado a André e diz que MDB de MS poderia ser seu a qualquer momento

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A entrevista concedida por Simone Tebet ao Campo Grande News elevou a temperatura dentro do MDB sul-mato-grossense. Sem rodeios, a ministra do Planejamento deixou claro que, apesar de não buscar o comando da sigla, poderia assumir o partido no Estado quando quisesse — um recado direto ao ex-governador André Puccinelli, que atua para manter o domínio interno.

Ao comentar a resistência do grupo ligado a Puccinelli à sua eventual candidatura ao Senado por Mato Grosso do Sul, Simone foi categórica: “O partido em Mato Grosso do Sul, se quisesse, era meu — mas não é isso. A Executiva Nacional disse: ‘Você quer o partido?’ E eu respondi: ‘Não. Eu não sei ser presidente de partido. Não quero. Os companheiros estão lá, tocam o dia a dia, e tenho carinho enorme por eles’.”

A fala expõe um ponto sensível para Puccinelli: o partido só não está nas mãos de Simone porque ela não quis. E, caso decida disputar o Senado por MS em acordo com o presidente Lula, ela afirma que o MDB local não terá força para impedi-la. “Não precisava nem o Baleia (deputado Baleia Rossi, presidente nacional do MDB) dizer que a vaga é minha”, destacou.

A ministra ainda lembrou que o principal adversário interno só entrou para a política por influência de sua família. “O André foi levado para a política por meu pai (o ex-senador Ramez Tebet).”

A relação entre os dois, marcada por cordialidade pública, ganha novos contornos com outra declaração incisiva de Simone, que esvazia o discurso antipetista de Puccinelli: “O eleitorado do André é lulista. O voto dele vem sobretudo dos bairros de Campo Grande, e ali o Lula sempre teve cerca de um terço do eleitorado do Estado.”

Além do embate político, Simone tratou de temas nacionais que impactam diretamente Mato Grosso do Sul. Afirmou que “a maioria absoluta” dos sul-mato-grossenses ficará isenta do Imposto de Renda com a nova lei; disse que o STF abriu caminho para indenizar produtores que aceitarem valores reduzidos em conflitos indígenas; e garantiu que não há mais obstáculos econômicos para a renegociação da dívida do Estado com a União.

Ao fim, a mensagem que ecoa é clara: Simone continua sendo cortejada por aliados nacionais, mas, dentro do MDB de Mato Grosso do Sul, sua força é maior do que a de qualquer cacique local — inclusive André Puccinelli.

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