Política | Da redação | 07/04/2026 13h43

PSDB se enrola, Rocha chega atropelando e bate de frente com Guerreiro: crise expõe fragilidade do partido em MS

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O PSDB de Mato Grosso do Sul entrou em rota de colisão interna às vésperas do fechamento da janela partidária, após a filiação do ex-deputado Eduardo Rocha provocar um racha direto com o ex-prefeito de Três Lagoas Ângelo Guerreiro, um dos principais nomes da legenda para a disputa de deputado estadual.

A crise ganhou força porque Guerreiro, ao contrário do que parte do partido articulava nos bastidores, recusou qualquer possibilidade de saída e deixou claro que não pretende abrir espaço. “Quem tem que sair não é o Guerreiro. Sempre tive meu posicionamento firme. Não estou à negociação. Sou diferente de muitos oportunistas”, afirmou.

O impasse escancarou um erro estratégico do partido, que já tratava como certa a migração de Guerreiro para outra sigla e, com isso, abriu as portas às pressas para Rocha — um movimento visto como precipitado e desrespeitoso dentro da própria legenda. A decisão não só ignorou a liderança consolidada de Guerreiro no Bolsão, como também colocou frente a frente dois adversários históricos na mesma base eleitoral.

Nos bastidores, a chegada de Rocha é tratada como um “corpo estranho” no partido. Vindo do MDB e ligado ao grupo da ex-ministra Simone Tebet, ele desembarca sem construção interna e já causando desgaste. A forma atropelada da filiação irritou aliados de Guerreiro, principalmente pelo fato de o ex-prefeito — que preside o diretório municipal — não ter sido sequer consultado.

Guerreiro, por sua vez, relembrou seu histórico dentro do partido para reforçar sua posição. “Eu estou aguardando como vai ficar essa montagem de chapas. Fui deputado pelo PSDB, prefeito eleito e reeleito com mais de 85% de aprovação pelo PSDB e sou presidente do diretório municipal. E todos sabem que eu e o Eduardo Rocha somos adversários políticos em Três Lagoas”, disparou.

A situação expõe ainda mais a fragilidade do PSDB no Estado após a saída de Reinaldo Azambuja, deixando a legenda sem uma liderança unificadora e com dificuldades para montar chapas competitivas. A possível ascensão de Pedro Caravina ao comando do partido, que não mantém boa relação com Guerreiro, adiciona mais tensão ao cenário.

O problema é que toda a engenharia eleitoral já havia sido desenhada considerando a saída de Guerreiro. Agora, com sua permanência, o partido se vê obrigado a refazer cálculos e lidar com a insatisfação de vereadores e lideranças, especialmente da Capital, que condicionaram a chegada de Rocha à saída do ex-prefeito.

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