Promessa, rasteira e desconfiança: Pollon aposta em Bolsonaro e ignora convite ao Senado
O deputado federal Marcos Pollon (PL) decidiu permanecer no partido ao confiar na promessa do ex-presidente Jair Bolsonaro de que será o escolhido da sigla para disputar o Senado em Mato Grosso do Sul nas eleições deste ano. A decisão ocorre mesmo após convite do Novo para que ele reforçasse a candidatura ao governo de João Henrique Catan.
A aposta de Pollon se sustenta em um episódio recente: um bilhete atribuído a Bolsonaro, escrito durante prisão na chamada “Papudinha” e divulgado pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, no qual o ex-presidente indicaria o deputado como seu nome ao Senado no Estado.
Apesar disso, o cenário dentro do PL está longe de ser pacífico. O senador Flávio Bolsonaro tratou de acalmar aliados ao afirmar que não houve mudança em acordos anteriores. Antes da prisão, Bolsonaro havia sinalizado apoio também ao ex-governador Reinaldo Azambuja e ao ex-deputado Capitão Contar, ampliando a disputa interna pela vaga.
O histórico recente do grupo político alimenta dúvidas. Nas eleições municipais, Bolsonaro lançou múltiplas candidaturas em Campo Grande — incluindo Contar, Rafael Tavares, Catan e Tenente Portela — e chegou a firmar acordo para apoiar a reeleição da prefeita Adriane Lopes. No entanto, recuou e passou a apoiar o deputado federal Beto Pereira, que acabou fora do segundo turno.
A sequência de mudanças gerou desconfiança até entre apoiadores de Pollon. “Pollon o @reinaldoazambuja não aprova seu nome nas prévias e convenções, esquece amigo, vc já era, perdeu o ‘time’ certo, deveria estar no NOVO ajudando o @joaohenriquecatan”, comentou um seguidor nas redes sociais.
Em meio às incertezas, Pollon afirmou que será alvo de “assassinato de reputações”, ao citar anotações atribuídas a Flávio Bolsonaro. No material, o senador afirma que o parlamentar teria pedido R$ 15 milhões para desistir da disputa pelo Senado — acusação que veio a público dentro do próprio grupo político.
Enquanto isso, o comando regional do PL, sob liderança de Reinaldo Azambuja, mantém o discurso de cautela. Segundo ele, pesquisas definirão o candidato ao Senado, com quatro nomes no páreo: o próprio Azambuja, Capitão Contar, Pollon e a vice-prefeita de Dourados, Gianni Nogueira.
Nos bastidores, porém, aliados admitem que o ex-governador segue como favorito e mantém como objetivo central a chegada ao Senado, o que pode transformar a promessa feita a Pollon em mais um capítulo de tensão dentro do bolsonarismo sul-mato-grossense.
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