PL vai às ruas contra Lula, inflama pré-campanha ao Senado e escancara isolamento de Azambuja na direita raiz
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Com críticas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e a ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), lideranças e apoiadores do PL ocuparam o Centro de Campo Grande na manhã deste domingo (1º), em ato que misturou protesto e clima de pré-campanha. Enquanto pré-candidatos disputavam espaço e protagonismo, uma ausência chamou atenção: o ex-governador e presidente estadual do partido, Reinaldo Azambuja, não compareceu e tampouco se manifestou nas redes sociais.
A mobilização na Capital integrou um movimento nacional, cujo epicentro foi a Avenida Paulista, em São Paulo, onde estava o deputado federal e pré-candidato ao Senado Marcos Pollon. No sábado (28), ele foi confirmado como nome ao Senado por Jair Bolsonaro, após a repercussão do suposto pedido de R$ 15 milhões para abrir mão da candidatura em favor de Azambuja e do também pré-candidato Capitão Contar, ambos do PL.
Em Campo Grande, Contar participou do ato e discursou em tom de enfrentamento. “Hoje a pauta é fora Lula, fora Toffoli, fora Moraes, que têm sido os principais atores desse grande desgoverno e uma ‘rasgação’ de Constituição que o nosso país está vivendo. Nós como população, brasileiros, patriotas, não toleramos mais isso. Então esse movimento representa para nós o reacendimento dessa chama de patriotismo e por renovação do país”, declarou o pré-candidato ao Senado.
Sobre o apoio de Bolsonaro a Pollon, Contar ponderou: “Quanto mais gente de direita engajada nessa causa, melhor para o Brasil. Então a vinda dele novamente como um pré-candidato é muito positiva. E o tempo dirá quem vai ser os dois principais líderes dessa corrida para o Senado”.
Também presente, a vice-prefeita de Dourados, Gianni Nogueira (PL), que já figurou como pré-candidata ao Senado com apoio de Bolsonaro, defendeu a mobilização de rua. “Eu sempre falo que tudo que nós temos que fazer, nós temos que fazer antes das eleições. Nos mobilizarmos, irmos atrás da população realmente, desse despertar da população. Então a manifestação interage com as pessoas, influencia e desperta as pessoas”, afirmou.
Gianni estava acompanhada do marido, o deputado federal Rodolfo Nogueira (PL). “É o lançamento de uma frente de manifestações contra o PT e contra o presidente Lula. O Flávio Bolsonaro é o nosso nome hoje. A direita precisa estar unida para disputar a Presidência e o Senado”, proclamou o Gordinho do Bolsonaro.
Na esfera estadual, participaram os deputados João Henrique Catan e Coronel David. Catan, que pretende disputar o Governo do Estado, criticou o apoio do PL à reeleição do governador Eduardo Riedel (PP).
“Eu tenho dito, eles estão tentando transformar o PL, a direita, que é um grande partido que cresceu por conta dessas pessoas que merecem ter o protagonismo agora em 2026. O Pollon, eu, o Contar, o Rodolfo, a Gianni, o Rafael Tavares, todas as lideranças merecem sentar numa mesa todos juntos e transformar Mato Grosso do Sul e enfrentar, que é isso que é o nosso ano eleitoral”, defendeu Catan.
Da Câmara Municipal, os vereadores André Salineiro e Rafael Tavares também marcaram presença.
“Nós estamos aqui para exigir que essas instituições trabalhem de acordo com a Constituição e que não permitam que essa Constituição seja rasgada frente às suas faces, e nada seja feito. Então, o povo acordou, o Brasil acordou, esse movimento só começou. Acorda Brasil!”, falou Salineiro.
A vereadora Ana Portela optou por participar do ato em São Paulo, ao lado de Pollon. “Fora Lula, fora Moraes, fora Toffoli. Acorda, Brasil”, repetiu o mantra a parlamentar.
Após ser anunciado por Bolsonaro como pré-candidato ao Senado, Pollon escreveu: “Como tenho dito há muito tempo, meu projeto nunca foi pessoal. Minha pré-candidatura jamais nasceu de vaidade ou ambição individual. Sempre me coloquei à disposição para servir onde fosse mais útil ao Brasil e ao nosso grupo. Nunca bati o pé por cargo algum. Sempre afirmei que seria pré-candidato àquilo que Jair Bolsonaro determinasse, porque pré-candidatura não é projeto de ego, é missão”.
Ausência que fala
Se nas falas o tom foi de unidade e engajamento da “direita raiz”, nos bastidores a ausência de Azambuja ganhou peso político. Presidente estadual do PL e citado nas articulações para o Senado, ele não compareceu ao ato em Campo Grande nem ao da Avenida Paulista.
Nos últimos meses, o ex-governador tem mantido postura mais institucional e distante das manifestações de rua, movimento que contrasta com o perfil combativo das lideranças que estiveram no Centro da Capital. Embora esteja no comando formal do partido em Mato Grosso do Sul, Azambuja enfrenta resistência de parte da base bolsonarista, que cobra alinhamento mais explícito ao discurso nacional e às pautas defendidas por Bolsonaro.
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