Política | Da Redação | 09/03/2026 15h22

Isolado no partido e fora da chapa governista, Nelsinho pode pagar o preço da própria articulação

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O senador Nelsinho Trad (PSD) aparece em posição competitiva nas primeiras pesquisas para a disputa ao Senado em Mato Grosso do Sul, mas pode enfrentar um cenário político delicado: a possibilidade de conduzir uma campanha praticamente sem estrutura partidária no Estado.

Embora a situação possa garantir maior controle sobre os recursos do fundo eleitoral destinados ao partido, o cenário também traz um desafio estratégico importante. Sem chapas fortes para deputado federal e estadual, o senador tende a ter menos palanques regionais e menos candidatos aliados para impulsionar sua candidatura durante a campanha.

O quadro atual é reflexo de tensões internas acumuladas nos últimos anos dentro do PSD sul-mato-grossense. Nas eleições municipais de 2024, decisões tomadas pela direção estadual acabaram barrando candidaturas do próprio partido em diferentes cidades. Em Campo Grande, por exemplo, a possibilidade de candidatura do deputado estadual Pedrossian Neto foi descartada. Já em São Gabriel do Oeste, o conflito interno chegou à Justiça após filiados contestarem a condução das candidaturas. O impasse terminou apenas depois da eleição, quando a direção partidária precisou reconhecer o resultado.

Agora, a consequência dessas disputas internas começa a se refletir na organização partidária para 2026. O PSD ainda não conseguiu estruturar chapas competitivas para as disputas proporcionais e pode perder nomes relevantes. Pedrossian Neto, atualmente o único deputado estadual da legenda, já articula sua saída para o Republicanos.

Outro movimento de saída envolve o vice-governador José Carlos Barbosa (Barbosinha), que também avalia mudança partidária para viabilizar sua permanência na chapa majoritária do grupo político estadual. O secretário estadual de Desenvolvimento, Jaime Verruck, é mais um nome que deve deixar o PSD. Ele chegou a cogitar uma candidatura ao Senado, mas atualmente trabalha com a possibilidade de disputar uma vaga na Câmara Federal pelo Progressistas.

Além das dificuldades internas, o senador também enfrenta obstáculos na formação de alianças. A tentativa de aproximação com o grupo governista liderado pelo governador Eduardo Riedel e pelo ex-governador Reinaldo Azambuja esbarra na presença do Partido Liberal na articulação política do bloco.

O cenário ficou ainda mais complexo após o anúncio do deputado federal Marcos Pollon como pré-candidato ao Senado com apoio do ex-presidente Jair Bolsonaro. Com Azambuja também cotado para disputar a outra vaga, o espaço político para Nelsinho dentro da mesma aliança se tornou reduzido.

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