Política | Da Redação | 16/08/2026 07h46

Eleição em MS começa com fantasma das viradas e alerta de que favoritismo pode virar armadilha

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A campanha eleitoral para o Governo de Mato Grosso do Sul começa oficialmente no próximo sábado (15) sob uma lembrança incômoda para quem entra na disputa como favorito: pesquisas de agosto não garantiram a vitória nas eleições marcadas por grandes reviravoltas. Em 1998, 2014 e 2022, candidatos que largaram na frente acabaram derrotados no decorrer do processo, mostrando que a vantagem inicial está longe de significar eleição decidida.

O cenário de 2026 coloca oito candidatos na corrida pelo Governo, em uma disputa que tem o atual governador Eduardo Riedel como um dos principais nomes e uma oposição que tenta transformar a campanha em um confronto direto com a atual gestão.

A história recente ajuda a explicar o cuidado. Em 1998, Pedro Pedrossian começou a campanha como favorito, mas sequer chegou ao segundo turno. Ricardo Bacha terminou a primeira etapa na liderança, enquanto Zeca do PT avançou e, na segunda votação, conseguiu uma das maiores viradas da história política de Mato Grosso do Sul.

O petista acabou eleito com 61,27% dos votos, depois de iniciar a disputa em uma posição menos favorável. Quatro anos depois, Zeca confirmou a força eleitoral e venceu Marisa Serrano no segundo turno.

A eleição de 2014 produziu outra reviravolta emblemática. Delcídio do Amaral chegou ao primeiro turno na liderança, com 42,92% dos votos, enquanto Reinaldo Azambuja ficou em segundo, com 39,09%. Mesmo com pesquisas apontando vantagem do petista para a segunda etapa, foi o tucano quem terminou eleito, com 55,34%.

Em 2022, a história voltou a se repetir. Eduardo Riedel não aparecia inicialmente como o principal favorito e terminou o primeiro turno atrás de Capitão Contar. O candidato do PRTB teve 26,71%, contra 25,16% de Riedel. No segundo turno, porém, o atual governador virou novamente o jogo e venceu com 56,9% dos votos.

O único período recente em que o favoritismo se confirmou de forma mais clara foi o de André Puccinelli. Em 2006, o então governador venceu no primeiro turno e, quatro anos depois, voltou a derrotar Zeca do PT, consolidando uma das trajetórias eleitorais mais fortes da história recente do Estado.

Para o cientista político Tércio Albuquerque, ouvido pelo site O Jacaré, os episódios anteriores servem como alerta para quem pretende transformar números de pesquisas em resultado antecipado.

“Essas situações demonstram que nem sempre aquele que aparece na preferência dos eleitores nas pesquisas conseguem confirmar essa posição e não se elegem”

Na avaliação de Albuquerque, porém, o contexto de 2026 possui diferenças importantes. Riedel disputa a reeleição, tem uma avaliação positiva da administração e conta com a estrutura do Governo, fatores que podem contribuir para sua estratégia eleitoral.

O cientista político alerta, entretanto, que uma campanha baseada na ideia de vitória garantida pode abrir espaço para os adversários.

A oposição já sinaliza que pretende explorar justamente os pontos considerados mais vulneráveis da administração. Fábio Trad (PT), João Henrique Catan (Novo), Renato Gomes (DC) e Lucien Rezende (PSOL) adotam discursos críticos ao governador, embora partam de campos políticos diferentes.

Entre os principais alvos dos ataques está também o ex-governador Reinaldo Azambuja, atual aliado de Riedel. A estratégia dos adversários é tentar associar o governador às contradições e desgastes acumulados por seus aliados políticos.

Delcídio do Amaral (PRD) aparece como uma incógnita nesse tabuleiro. Ex-petista e antigo adversário de Riedel e de outros grupos políticos do Estado, o candidato ainda precisa deixar mais clara a estratégia que pretende adotar durante a campanha.

Para o cientista político e professor da UFMS Daniel Miranda, também ouvido pelo O Jacaré, as principais viradas históricas tiveram um ingrediente em comum: a existência de um terceiro candidato competitivo capaz de romper a polarização entre os dois nomes mais fortes.

“O que há de comum em reviravoltas é algum terceiro candidato forte: Pedrossian 1998; Nelsinho Trad (2014); Puccinelli (2022). Parece, até o momento, que essa eleição vai ser apenas Riedel x Trad”

Na leitura de Miranda, a presença de um terceiro nome com capacidade de crescimento pode mudar novamente a configuração da disputa. Caso isso não aconteça, a tendência seria de uma eleição mais polarizada entre governo e oposição.

“Pode ser que aparece um terceiro, mas se não aparecer vai ser governo x oposição; esquerda x direita. Aí a chance do Riedel é muito alta”

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