Política | Da redação | 07/04/2026 13h43

Da onda bolsonarista ao colo de Lula: Soraya troca de lado para tentar sobreviver em 2026

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A senadora Soraya Thronicke oficializou, na última sexta-feira (3), sua saída do Podemos para se filiar ao PSB, movimento que marca mais uma reviravolta em sua trajetória recente e reposiciona sua candidatura à reeleição em 2026.

A decisão foi tomada no último dia da janela partidária, após uma sequência de idas e vindas. Durante a semana, Soraya chegou a recuar da mudança e sinalizar permanência no Podemos, mas voltou atrás novamente, surpreendendo aliados e ampliando a percepção de instabilidade política em torno de seu mandato.

Nos bastidores, a mudança já vinha sendo articulada com lideranças nacionais como o vice-presidente Geraldo Alckmin e com o aval do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A senadora deve compor uma aliança com o deputado Vander Loubet na disputa ao Senado e apoiar Fábio Trad para o Governo de Mato Grosso do Sul.

A guinada reforça uma mudança de posicionamento que já vinha sendo observada ao longo do mandato. Eleita em 2018 na esteira do bolsonarismo, Soraya agora se aproxima do campo político de esquerda, em busca de sustentação eleitoral para tentar permanecer no Senado. O movimento é visto por críticos como pragmático, mas também como um afastamento das bases que a elegeram.

Dentro do Podemos, partido de perfil centro-direita que ela presidia no Estado, a senadora já enfrentava desgaste. A aproximação com o governo federal e pautas alinhadas à esquerda, além de sua atuação em episódios recentes em Brasília, contribuíram para o isolamento interno. Nos bastidores, dirigentes da sigla consideravam sua permanência cada vez mais insustentável.

Mesmo assim, antes de sair, Soraya articulou a filiação de seu suplente, o advogado Danny Fabrício, ao Podemos, movimento que pode influenciar o posicionamento do partido nas eleições estaduais, incluindo eventual apoio a Fábio Trad.

A troca para o PSB também foi influenciada pela leitura de que a nova sigla oferece melhores condições eleitorais, com estrutura nacional e apoio direto do Palácio do Planalto. Além disso, a senadora chegou a ser sondada por outras legendas, como o PDT, mas optou por um caminho que garantisse maior alinhamento com o projeto político do presidente Lula.

A sucessão de mudanças, no entanto, deixa marcas na imagem pública da senadora, que agora tenta reconstruir sua base eleitoral em um cenário bem diferente daquele que a levou ao Senado.

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