Política | Da Redação | 09/03/2026 15h22

Crise entre prefeito e vereadores expõe racha político em Sidrolândia

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A fala do prefeito Rodrigo Basso (PL) na tribuna da Câmara Municipal, durante a tentativa frustrada de realização de uma sessão extraordinária na noite de quarta-feira, provocou forte reação entre vereadores e aprofundou o clima de tensão política em Sidrolândia. Parlamentares rebateram as acusações do chefe do Executivo, que teria insinuado que a ausência de parte dos vereadores estaria ligada a interesses em negociatas.

Durante a sessão, o prefeito criticou os oito vereadores que não compareceram à convocação extraordinária, convocada para tratar de projetos do Executivo. A sessão acabou não acontecendo por falta de quórum, ampliando o desgaste entre os poderes.

Um dos que reagiram às declarações foi o vereador Gabriel Auto Car, que classificou a atitude do prefeito como demonstração de despreparo para o cargo. Segundo ele, a manifestação do chefe do Executivo também desrespeita o papel do Legislativo.

Em entrevista ao site Região News, o vereador negou qualquer tentativa de pressão por benefícios. “Nunca pedi nada pra esse prefeito. Ele pode ser afastado por ter feito uma acusação leviana, sem provas. Além do mais, fica claro que não tem equilíbrio psicológico para administrar a cidade. Ele não é dono da cidade. Nós vereadores, assim como ele, fomos eleitos pela população, para trabalhar pela cidade”, desabafa.

Outro parlamentar que criticou a postura do prefeito foi Cledinaldo Cotócio (PP). Para ele, a convocação da sessão extraordinária acabou sendo utilizada como espaço para confronto político, quando o foco deveria estar na solução de problemas do município, especialmente no transporte escolar.

“O Rodrigo parece que ainda não entendeu a tarefa para a qual o elegeu acreditando nas suas promessas de uma gestão eficiente e comprometida com os interesses da maioria”, comenta Cledinaldo, em declaração ao site Região News.

O vereador também apontou falhas administrativas em outras áreas da gestão municipal. Segundo ele, o transporte escolar enfrenta dificuldades e há problemas em setores como saúde e manutenção de estradas, o que estaria prejudicando a população.

Cledinaldo ainda criticou a composição da equipe do Executivo. Conforme relatou ao Região News, parte dos secretários sequer reside no município e teria pouco conhecimento da realidade local.

Diante do impasse, o presidente da Câmara, Otacir Figueiredo, afirmou que chegou a alertar o prefeito sobre a possibilidade de a sessão não ter quórum. Segundo ele, a recomendação foi adiar a votação para a sessão ordinária da próxima segunda-feira.

“Alertei o prefeito da insatisfação dos vereadores e que provavelmente não haveria quórum. Vereador não é obrigado a comparecer em sessão extraordinária. Ele insistiu, fiz à vontade mantendo a convocação”, relatou ao site Região News.

Para o presidente da Câmara, o episódio deve servir como aprendizado para o Executivo municipal. “Ele precisa entender que precisa construir uma base na Câmara, atender as demandas dos vereadores e passar esta recomendação aos secretários”, aconselhou, também em declaração ao Região News.

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