Política | Da Redação | 02/06/2026 15h55

Carta de Bolsonaro vira último trunfo de Pollon em disputa que pode tirá-lo do Senado

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A troca no comando do PL Mulher em Mato Grosso do Sul pode ter revelado mais do que uma simples mudança partidária. Nos bastidores do PL, a saída de Naiane da presidência estadual do segmento feminino é vista como mais um indício de que o deputado federal Marcos Pollon pode acabar fora da disputa ao Senado em 2026.

Naiane ganhou protagonismo no partido após ser anunciada como pré-candidata à Câmara Federal pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, em um movimento político feito diante do próprio Pollon, então cotado para disputar o Governo do Estado. Próxima de Michelle, ela era considerada uma das apostas do bolsonarismo em Mato Grosso do Sul.

Com o passar dos meses, porém, o cenário mudou. Pollon deixou de ser tratado como nome certo ao governo e passou a mirar o Senado. Ao mesmo tempo, articulações dentro do PL começaram a fortalecer uma composição envolvendo Reinaldo Azambuja e Capitão Contar, cenário que pode reduzir o espaço do deputado federal na chapa majoritária.

A avaliação nos bastidores é de que a saída de Naiane do comando do PL Mulher pode simbolizar o encerramento de uma disputa interna que já dura meses. Caso fique fora da corrida ao Senado, Pollon teria como caminho natural buscar a reeleição à Câmara dos Deputados, enquanto Contar apareceria como o principal nome para ocupar uma das vagas ao Senado na composição do partido.

Embora nada esteja oficializado, integrantes do PL já tratam os movimentos recentes como um “sinal de fumaça” sobre o possível desfecho da novela interna, marcada por disputas silenciosas, mudanças de rota e desgaste entre lideranças.

Em meio às incertezas, Pollon tenta se apoiar diretamente no ex-presidente Jair Bolsonaro. Nas redes sociais, o deputado divulgou um vídeo com a carta escrita por Bolsonaro — publicada pela própria Michelle em fevereiro — e recebeu apoio público de Naiane. “Você continua sendo nosso candidato”, comentou a presidente do PL Mulher.

O gesto ocorreu justamente em um momento em que lideranças do partido defendem que a escolha do candidato ao Senado passe por pesquisas eleitorais. Até agora, levantamentos divulgados colocam Pollon atrás de possíveis adversários internos.

A expectativa do deputado é que Bolsonaro mantenha a palavra registrada na carta e sustente sua candidatura independentemente das pesquisas, contrariando a posição defendida pela executiva nacional do PL, presidida por Valdemar Costa Neto, e pelo comando estadual de Reinaldo Azambuja.

Na carta, Bolsonaro afirmou que pretende divulgar uma lista própria de candidatos apoiados por ele nas próximas eleições. A promessa, porém, ainda deverá enfrentar resistência dentro da própria cúpula partidária.

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